Moradores de 13 favelas espalhadas por oito estados brasileiros receberão investimento de R$ 72,9 milhões para ampliar cobertura de 4G e 5G em suas comunidades. O financiamento, aprovado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) com recursos do Fundo de Universalização dos Serviços de Telecomunicações (FUST), beneficiará também 131 localidades prioritárias conforme critérios do conselho gestor do fundo.
A iniciativa inclui construção de 120 torres e instalação de 94 Estações Rádio Base (ERBs) — equipamentos que transmitem voz e dados em redes móveis. Dessa forma, áreas onde a infraestrutura digital ainda é deficiente ganharão cobertura de alta capacidade. O projeto será executado no Rio de Janeiro, Minas Gerais, Espírito Santo, São Paulo, Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Bahia.
FUST financia expansão em comunidades de baixa renda
O FUST foi criado em 2000 com objetivo de universalizar o acesso a telecomunicações em regiões isoladas, periféricas, rurais e junto a populações de baixa renda. A atualização do fundo em 2020 reforçou essa missão, canalizando recursos para reduzir a desigualdade digital no país. Essa aprovação marca a segunda operação da empresa Highline financiada pelo BNDES usando recursos do FUST — a primeira, de R$ 65 milhões, foi contratada em dezembro de 2024.
Segundo José Luis Gordon, diretor de Desenvolvimento Produtivo, Inovação e Comércio Exterior do BNDES, conectividade de qualidade abre portas para conhecimento, serviços digitais e comércio eletrônico. O impacto vai além de acesso: pequenos empreendedores ganham ferramentas para vender online, estudantes alcançam informação, e comunidades ampliam autonomia econômica.
Como o projeto afeta microempreendedores e estudantes
Na prática, uma conexão 4G ou 5G estável permite que vendedores informais montem lojas virtuais, prestem serviços remotos e acessem plataformas de pagamento digital. Estudantes conseguem assistir aulas online, baixar materiais educacionais e competir em pé de igualdade com quem mora em áreas bem servidas de infraestrutura. O Ministério das Comunicações reforça que investimentos como esse melhoram a qualidade do sinal recebido pela população, reduzindo Dead zones — pontos sem cobertura.
Conforme o PratiqueTech já demonstrou em outras análises, a diferença entre uma conexão lenta e uma de alta velocidade afeta diretamente produtividade e competitividade. Em comunidades periféricas, essa lacuna é ainda mais crítica, funcionando como barreira invisível ao progresso econômico e social.
Distribuição por estado e prioridades do FUST
| Estado | Localidades atendidas | |——–|———————-| | Rio de Janeiro | Favelas da RMRJ | | Minas Gerais | Região metropolitana e interior | | Espírito Santo | Áreas prioritárias | | São Paulo | Favelas e bairros periféricos | | Paraná | Localidades classificadas | | Santa Catarina | Comunidades de baixa renda | | Rio Grande do Sul | Regiões isoladas e periféricas | | Bahia | Localidades em situação de vulnerabilidade |
A seleção das 131 localidades considerou dois fatores principais: gargalos de infraestrutura digital (locais onde o acesso é nulo ou extremamente fraco) e necessidades de inclusão social e econômica. Isso significa que o FUST não distribui recursos de forma uniforme, mas concentra onde a carência é maior.
Cronograma e próximos passos
A implementação das torres e ERBs deve respeitar cronograma definido pelo BNDES e pela empresa Highline. Não há data pública de início ou conclusão das obras, mas o financiamento aprovado indica que as etapas de projeto executivo e licenciamento ambiental já devem estar adiantadas. Comunidades podem acompanhar avanços através dos canais oficiais da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) e do Ministério das Comunicações.
Perguntas frequentes
O 5G será tão rápido quanto em áreas urbanas? A velocidade do 5G depende de carga de rede e distância da estação. Em comunidades menores, o acesso pode ser até mais rápido que em grandes cidades, justamente porque menos usuários compartilham a banda disponível.
Quem pode solicitar que sua localidade entre no programa? Comunidades não fazem solicitação direta. O FUST identifica prioridades conforme critérios de vulnerabilidade, gargalo de infraestrutura e população de baixa renda, comunicando às prefeituras e à Anatel as áreas selecionadas.
Quanto tempo leva para instalar uma torre e uma ERB? Uma ERB leva entre 2 e 4 semanas para ser instalada e testada. Torres podem exigir 1 a 3 meses, dependendo da topografia e do acesso ao terreno. O tempo total inclui também licenças ambientais e aprovação municipal.
Os moradores precisam pagar para usar a rede 4G ou 5G? Não. O FUST financia apenas infraestrutura. Os planos de dados continuam sendo oferecidos por operadoras privadas, que podem oferecer pacotes específicos para comunidades carentes conforme regulamentação da Anatel.
Se sua comunidade depende de análises sobre infraestrutura de rede ou planejamento de cobertura, o Verificador de IP do PratiqueTech oferece diagnósticos rápidos sobre conectividade e qualidade de sinal — ferramenta útil para documentar gargalos e encaminhar demandas a órgãos competentes.
