O software da urna eletrônica é um conjunto de programas desenvolvidos pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que controla todas as etapas da votação, desde o registro do voto até a geração dos resultados. Antes de chegar às seções eleitorais, esse software passa por inspeções públicas, testes de segurança, assinatura digital e lacração — mecanismos que garantem que nenhuma alteração foi feita no código instalado nas máquinas.
O processo começa muito antes do eleitor digitar um número. O TSE disponibiliza o código-fonte dos sistemas para fiscalização por partidos, órgãos públicos, universidades e outras entidades autorizadas. Essa transparência permite que diferentes atores verifiquem se há vulnerabilidades ou problemas. Depois dessa etapa, o código é compilado — transformado em instruções que a urna consegue executar. Em setembro de 2026, o TSE concluiu a compilação, assinatura digital e lacração de todos os sistemas que serão usados nas eleições.
Como funciona o software nas urnas
O software não é um programa único, mas um conjunto coordenado de aplicativos. O sistema operacional da urna é o Uenux, uma distribuição Linux desenvolvida especificamente pelo TSE. Ele gerencia a inicialização do equipamento, o funcionamento básico e a execução dos aplicativos eleitorais.
Um ponto crítico: a urna não funciona como um computador convencional. Ela não possui mecanismos de conexão com redes externas durante a preparação, a votação ou após encerramento. Não há internet, não há rede local conectada. A transmissão de dados ocorre apenas depois, através de equipamentos e procedimentos específicos da Justiça Eleitoral, separados do processo de votação.
O que o software registra quando o eleitor vota
Quando o eleitor digita um número, o software identifica a opção correspondente e exibe na tela as informações do candidato ou legenda. Após confirmação, o voto é registrado no Registro Digital do Voto (RDV), um arquivo que armazena todos os votos digitados naquela urna.
O RDV foi projetado para preservar o sigilo. Os registros ficam distribuídos em posições diferentes do arquivo, impedindo que a ordem dos votos seja relacionada à sequência de eleitores que passaram pela seção. A cada confirmação, o arquivo é atualizado e recebe uma assinatura digital — um mecanismo criptográfico que permite verificar posteriormente se o arquivo foi alterado.
Como o PratiqueTech já mostrou em outras análises, a assinatura digital funciona como um certificado de autenticidade. Se alguém tentar modificar um voto registrado, o arquivo deixa de corresponder à assinatura original, sinalizando a violação.
Como a urna apura e transmite os resultados
Ao final da votação, o software calcula a quantidade de votos de cada candidato, legenda, votos brancos e nulos. Esses dados são registrados no Boletim de Urna (BU), um documento que apresenta os resultados daquela seção, incluindo total de votantes e votação de cada candidatura.
O BU é impresso e uma cópia fica disponível na própria seção, permitindo conferir o resultado antes mesmo da totalização nacional. O software também produz arquivos digitais que seguem para as próximas etapas do processo eleitoral.
Aqui é importante esclarecer: a urna não transmite dados pela internet nem soma resultados de outras seções. Ela apenas apura seus próprios votos. Os arquivos são encaminhados aos tribunais regionais eleitorais por procedimentos específicos, onde passam por verificações adicionais antes de serem incorporados ao resultado nacional.
Como o TSE verifica se o software foi alterado
O TSE utiliza dois mecanismos principais:
- Hash digital: um resumo matemático calculado a partir de cada arquivo. Qualquer alteração no conteúdo produz um hash completamente diferente. O TSE publicou os hashes dos sistemas para as Eleições 2026, permitindo que qualquer pessoa compare os programas instalados nas urnas com as versões oficiais lacradas pelo Tribunal.
- Assinatura digital: confirma a autenticidade dos programas. Durante a cerimônia de assinatura e lacração, os sistemas são compilados, assinados e armazenados em mídias protegidas. Cópias oficiais são encaminhadas aos tribunais regionais para a preparação das urnas.
Essa dupla verificação cria uma cadeia que acompanha o software desde o código-fonte até os arquivos finais gerados na urna.
Quem fiscaliza o software da urna
A fiscalização acontece em múltiplas etapas:
- Ciclo de Transparência Democrática: partidos políticos, órgãos públicos e universidades analisam o código-fonte antes da compilação.
- Teste Público de Segurança (TPS): especialistas e pesquisadores procuram vulnerabilidades nos sistemas.
- Inspeções durante a preparação: técnicos verificam se as urnas foram configuradas corretamente.
- Auditorias pós-eleição: conferem os arquivos gerados para detectar anomalias.
Instituições como o Senado Federal e a Procuradoria-Geral da República também realizam inspeções nos códigos que serão utilizados nas eleições.
Esse conjunto de procedimentos garante que diferentes atores possam conferir o software em vários pontos do processo, reduzindo significativamente o risco de manipulação sem detecção.
Perguntas frequentes
Por que o código-fonte fica público se isso não compromete a segurança?
Ao contrário do que muitos pensam, publicar o código-fonte aumenta a segurança. Quanto mais pessoas podem revisar o código, mais fácil é encontrar vulnerabilidades antes da eleição. A segurança está nos mecanismos de verificação (hash, assinatura digital, lacração), não no sigilo do código.
A urna pode ser hackeada pela internet?
Não. A urna não possui conexão com redes externas durante todo o processo de votação. Ela é desconectada propositalmente para eliminar vetores de ataque remoto.
E se alguém modificar a urna fisicamente antes da eleição?
É por isso que existem os mecanismos de hash e assinatura digital. Se o software instalado não corresponder ao hash oficial publicado, ou se a assinatura não for válida, a alteração é detectada antes da votação começar.
Se você trabalha com segurança de sistemas ou precisa verificar integridade de arquivos em suas operações, a calculadora de subrede do PratiqueTech também oferece ferramentas úteis para ambientes isolados e controlados como o das urnas eletrônicas.
